Um
outro falso ensino muito difundido pelos pregadores da prosperidade é o
de que as nossas palavras têm poder; é uma espécie de positivismo, onde você
tem que pensar positivo e falar positivamente para as coisas acontecerem.
Ensina-se que Deus nos deu autoridade para declarar bênçãos, vitórias;
determinar com as nossas palavras aquilo que queremos que aconteça e aí Deus
estará obrigado a realizar aquilo que determinamos. É a chamada confissão
positiva. Eles ensinam que muitos cristãos não conseguem vencer na sua vida
porque não conhecem a autoridade que têm e não usam as suas palavras para
conquistar as bênçãos de Deus; declarando, determinando ou profetizando aquilo
que querem. Mas será que a Bíblia ensina mesmo isso? Vejamos primeiramente três
textos bíblicos usados por eles como base para esses ensinamentos perniciosos.
O primeiro é um episódio envolvendo o
profeta Eliseu, que está em 2 Reis 2:23-24 e diz assim: “Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho,
uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe,
calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor;
então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles
meninos.” Eles, então, dizem que, da
mesma maneira como Eliseu determinou que algo acontecesse e Deus foi lá e fez o
que o profeta declarou, assim é conosco. Dizem que a gente precisa ter ousadia
e usar as nossas palavras para declarar algo e Deus, com certeza, vai realizar.
Assim como foi com Eliseu será conosco, pois nós também somos profetas.
Analisemos algumas coisas: O profeta Eliseu andava com Deus e discernia a
vontade do mesmo. Quando ele amaldiçoou aqueles garotos que zombavam dele, ele
sabia que era vontade de Deus exercer juízo sobre aqueles jovens, pois eles
estavam zombando de um homem de Deus e era como se estivessem zombando do
próprio Deus. Lendo a história de Eliseu veremos que ele sempre se submeteu a
Deus e não achava que Deus era que o servia e fazia aquilo que ele quisesse,
mas era exatamente o contrário, ele servia ao Senhor e profetizava somente o
que Deus mandava. Portanto, é um absurdo deduzir a partir desse texto que a
pessoa é que tem que determinar e aí Deus que se vire para realizar, é uma
inversão gritante de valores.
Outro texto muito usado
é o de Ezequiel 37:4, que diz: “Então me disse: Profetiza sobre estes ossos,
e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.” Os pregadores da
prosperidade dizem assim: “Você tem que profetizar para as coisas acontecerem,
faça como Ezequiel, profetize e fale aos ossos secos para que eles ganhem vida.
Profetiza na tua vida, na vida do teu irmão, profetiza a cura, a salvação da
sua casa, o seu emprego. Profetiza que aí Deus vai fazer.” O problema é que
hoje se usa a palavra profetizar num sentido diferente do sentido bíblico. Na
Bíblia profetizar é falar aquilo que Deus mandou, declarando algo que DEUS TE
DISSE que vai fazer, como foi o caso de Ezequiel. Mas hoje, as pessoas usam a
palavra profetizar no sentido de determinar, de declarar, de decretar, onde eu
tenho que profetizar primeiro, mesmo sem saber se é vontade de Deus, e aí Deus
realiza o que eu estou profetizando. Ora, eu não posso sair profetizando as
coisas sem Deus me dizer nada, mesmo que sejam coisas boas. Como eu posso
profetizar saúde, emprego, salvação na vida de alguém se eu não sei se isso vai
acontecer, pois para essas coisas acontecerem não depende só de eu querer, mas
da vontade soberana de Deus. Se Deus não quiser curar eu posso passar o ano
todo profetizando que não vai acontecer nada, se a pessoa não quiser se
converter de que adianta eu profetizar? É o meu desejo, o de Deus também, mas o
Senhor não vai converter a pessoa a força só porque eu inventei de profetizar,
sem Deus ter falado nada; agora se Deus falar para mim, antes, que a pessoa se
converterá, aí realmente eu estarei profetizando quando abrir a minha boca.
Hoje em dia, infelizmente, muitos pregadores e cantores usam essas palavras
como se o poder estivesse nas suas declarações e o povo vai repetindo o mesmo
comportamento nas igrejas sem nem parar para se perguntar se isso é bíblico.
Acham tudo muito bonito, muito espiritual e saem repetindo o engano por aí
também, espalhando os ensinos demoníacos como se fossem de Deus.
Outro texto muito usado
por eles é o de Marcos 11:23, que diz assim: “Porque em verdade vos digo que
qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em
seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será
feito.” Eles, então, dizem assim: “Está vendo só, você precisa falar ao
monte e acreditar que quando você fala as coisas acontecem, pois Jesus mesmo
disse que aquilo que você declarar com fé será feito. Então, declare,
determine, decrete, profetize a sua bênção...”. As pessoas tem uma mania feia
de pegar um texto isolado, ignorar o restante da Bíblia e usar esse texto para
fundamentar uma opinião própria. Jesus não estava ensinando confissão positiva
nessa passagem. Esse texto analisado isoladamente parece ensinar que as nossas
palavras têm poder e que o que dissermos acontecerá, mas vendo os ensinamentos
da Bíblia como um todo, não é assim. Jesus estava ensinando sobre a importância
de ter fé, veja o que diz no versículo anterior, o 22: “E Jesus,
respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;”; estava ensinando sobre você
acreditar que aquilo que você pede a Deus, ele concede, esse era o ensino
central da passagem. Veja o versículo posterior, o 24: “Por isso vos digo
que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis.” E
embora Jesus não mostre aqui a importância de orar conforme a vontade de Deus,
se compararmos com outras passagens veremos que Deus concede conforme a Sua
vontade soberana.
Agora eu gostaria de
mostrar o que a Bíblia ensina como um todo sobre oração. Para você ver como a
Bíblia não orienta ninguém a acreditar no poder das palavras, mas sim no poder
de Deus e assim orar pedindo as coisas, não determinando, veremos esses textos
a seguir: Em Mateus 7:7-8, diz: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e
encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o
que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.” Em João 14:13-14,
diz: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja
glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”, em Colossenses
1:9 diz:“Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não
cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua
vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;”. Esses três
exemplos e muitos outros que se encontram na Bíblia mostram que a oração
consiste em pedir, em suplicar; não em declarar, determinar, etc. E isso está
totalmente relacionado com a posição em que nos encontramos, a de servos de
Deus, sendo Ele, o Senhor. Ora que sentido haveria em um servo ficar ordenando
ao Senhor como é que tem que ser as coisas? Nenhum.
A bíblia também deixa
muito claro que devemos orar de acordo com a vontade de Deus, veja o que diz em
1 João 5:14: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma
coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.”. Veja o o exemplo do próprio
Jesus, que está registrado nos evangelhos, por exemplo em Lucas 22:42 que diz: “Dizendo:
Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade,
mas a tua.”. Veja também o exemplo de Paulo registrado em 2 Coríntios
12:7-9, que diz: “E, para que não me exaltasse pela excelência das
revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás
para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao
Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque
o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas
minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.”. É interessante
ver o contraste entre Jesus, Paulo e os supostos homens de Deus de hoje que
pregam a confissão positiva. Eles pediram, suplicaram a Deus algo, se colocando
numa posição de humildade; pediram, mas confiando que a vontade de Deus era o
melhor para eles. Se fosse algum dos pregadores da prosperidade no lugar de
Jesus tinha dito mais ou menos assim: “Eu não aceito essa angústia de morte, eu
sou teu filho, eu determino agora que ela se retire de mim e que o Senhor me
livre da cruz, pois sei que a tua vontade não é que eu sofra, mas que eu esteja
bem, pois eu sou cabeça, não cauda, eu fui feito para vencer, por isso eu
profetizo vitória sobre a minha vida, tomo posse do meu livramento e determino
que todo o mal saia agoooooraaaaa!!! Amém”. Se fosse no lugar de Paulo teriam
orado mais ou menos assim: “Deus eu não aceito essa derrota, eu determino que
esse espinho na carne saia agora da minha vida e eu profetizo paz,
tranquilidade, alegria do Senhor sobre a minha vida. Amém.” Que diferença hein?
Esse ensinamento é fruto
da arrogância do ser humano que quer ser como Deus, nós precisamos é reconhecer
a nossa pequenez e ser humildes, saber que Deus está no Céu e nós na terra, que
Ele é o Todo-poderoso e nós somos pó, dependentes totalmente da sua
misericórdia. O problema é que muita gente hoje não está nem aí para Deus, elas
querem apenas usar Deus para satisfazer os seus caprichos, elas querem uma
varinha mágica que resolva todos os seus problemas; não querem se humilhar,
pedir, orar a Deus esperando que Ele realize o que achar melhor. É muito
atrativo um ensinamento como esse, que diz que você pode com o poder da suas
palavras ter o que você quiser, é tudo o que os gananciosos querem, algo rápido
e fácil. Muitas pessoas estão vendo Deus como se fosse apenas um objeto que
elas usam para conseguir o que querem. Não estão querendo ter um relacionamento
de amor com Deus. Vemos, então, que as nossas palavras não têm poder, pelo
menos, não da maneira como os pregadores da prosperidade ensinam. O que estamos
vendo hoje é um vendaval de palavras mentirosas, não poderosas, enganando as
pessoas e levando-as para longe de Deus.
03/03/12
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