segunda-feira, 12 de março de 2012

EVANGELHO DA PROSPERIDADE - PARTE FINAL: PALAVRAS PODEROSAS OU PALAVRAS MENTIROSAS?

Um  outro falso ensino muito difundido pelos pregadores da prosperidade é o de que as nossas palavras têm poder; é uma espécie de positivismo, onde você tem que pensar positivo e falar positivamente para as coisas acontecerem. Ensina-se que Deus nos deu autoridade para declarar bênçãos, vitórias; determinar com as nossas palavras aquilo que queremos que aconteça e aí Deus estará obrigado a realizar aquilo que determinamos. É a chamada confissão positiva. Eles ensinam que muitos cristãos não conseguem vencer na sua vida porque não conhecem a autoridade que têm e não usam as suas palavras para conquistar as bênçãos de Deus; declarando, determinando ou profetizando aquilo que querem. Mas será que a Bíblia ensina mesmo isso? Vejamos primeiramente três textos bíblicos usados por eles como base para esses ensinamentos perniciosos.
O primeiro é um episódio envolvendo o profeta Eliseu, que está em 2 Reis 2:23-24 e diz assim: Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.” Eles, então, dizem que, da mesma maneira como Eliseu determinou que algo acontecesse e Deus foi lá e fez o que o profeta declarou, assim é conosco. Dizem que a gente precisa ter ousadia e usar as nossas palavras para declarar algo e Deus, com certeza, vai realizar. Assim como foi com Eliseu será conosco, pois nós também somos profetas. Analisemos algumas coisas: O profeta Eliseu andava com Deus e discernia a vontade do mesmo. Quando ele amaldiçoou aqueles garotos que zombavam dele, ele sabia que era vontade de Deus exercer juízo sobre aqueles jovens, pois eles estavam zombando de um homem de Deus e era como se estivessem zombando do próprio Deus. Lendo a história de Eliseu veremos que ele sempre se submeteu a Deus e não achava que Deus era que o servia e fazia aquilo que ele quisesse, mas era exatamente o contrário, ele servia ao Senhor e profetizava somente o que Deus mandava. Portanto, é um absurdo deduzir a partir desse texto que a pessoa é que tem que determinar e aí Deus que se vire para realizar, é uma inversão gritante de valores.
Outro texto muito usado é o de Ezequiel 37:4, que diz: “Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor.” Os pregadores da prosperidade dizem assim: “Você tem que profetizar para as coisas acontecerem, faça como Ezequiel, profetize e fale aos ossos secos para que eles ganhem vida. Profetiza na tua vida, na vida do teu irmão, profetiza a cura, a salvação da sua casa, o seu emprego. Profetiza que aí Deus vai fazer.” O problema é que hoje se usa a palavra profetizar num sentido diferente do sentido bíblico. Na Bíblia profetizar é falar aquilo que Deus mandou, declarando algo que DEUS TE DISSE que vai fazer, como foi o caso de Ezequiel. Mas hoje, as pessoas usam a palavra profetizar no sentido de determinar, de declarar, de decretar, onde eu tenho que profetizar primeiro, mesmo sem saber se é vontade de Deus, e aí Deus realiza o que eu estou profetizando. Ora, eu não posso sair profetizando as coisas sem Deus me dizer nada, mesmo que sejam coisas boas. Como eu posso profetizar saúde, emprego, salvação na vida de alguém se eu não sei se isso vai acontecer, pois para essas coisas acontecerem não depende só de eu querer, mas da vontade soberana de Deus. Se Deus não quiser curar eu posso passar o ano todo profetizando que não vai acontecer nada, se a pessoa não quiser se converter de que adianta eu profetizar? É o meu desejo, o de Deus também, mas o Senhor não vai converter a pessoa a força só porque eu inventei de profetizar, sem Deus ter falado nada; agora se Deus falar para mim, antes, que a pessoa se converterá, aí realmente eu estarei profetizando quando abrir a minha boca. Hoje em dia, infelizmente, muitos pregadores e cantores usam essas palavras como se o poder estivesse nas suas declarações e o povo vai repetindo o mesmo comportamento nas igrejas sem nem parar para se perguntar se isso é bíblico. Acham tudo muito bonito, muito espiritual e saem repetindo o engano por aí também, espalhando os ensinos demoníacos como se fossem de Deus.
Outro texto muito usado por eles é o de Marcos 11:23, que diz assim: “Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.” Eles, então, dizem assim: “Está vendo só, você precisa falar ao monte e acreditar que quando você fala as coisas acontecem, pois Jesus mesmo disse que aquilo que você declarar com fé será feito. Então, declare, determine, decrete, profetize a sua bênção...”. As pessoas tem uma mania feia de pegar um texto isolado, ignorar o restante da Bíblia e usar esse texto para fundamentar uma opinião própria. Jesus não estava ensinando confissão positiva nessa passagem. Esse texto analisado isoladamente parece ensinar que as nossas palavras têm poder e que o que dissermos acontecerá, mas vendo os ensinamentos da Bíblia como um todo, não é assim. Jesus estava ensinando sobre a importância de ter fé, veja o que diz no versículo anterior, o 22: “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;”; estava ensinando sobre você acreditar que aquilo que você pede a Deus, ele concede, esse era o ensino central da passagem. Veja o versículo posterior, o 24: “Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis.” E embora Jesus não mostre aqui a importância de orar conforme a vontade de Deus, se compararmos com outras passagens veremos que Deus concede conforme a Sua vontade soberana.
Agora eu gostaria de mostrar o que a Bíblia ensina como um todo sobre oração. Para você ver como a Bíblia não orienta ninguém a acreditar no poder das palavras, mas sim no poder de Deus e assim orar pedindo as coisas, não determinando, veremos esses textos a seguir: Em Mateus 7:7-8, diz: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.” Em João 14:13-14, diz: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”, em Colossenses 1:9 diz:“Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;”. Esses três exemplos e muitos outros que se encontram na Bíblia mostram que a oração consiste em pedir, em suplicar; não em declarar, determinar, etc. E isso está totalmente relacionado com a posição em que nos encontramos, a de servos de Deus, sendo Ele, o Senhor. Ora que sentido haveria em um servo ficar ordenando ao Senhor como é que tem que ser as coisas? Nenhum.
A bíblia também deixa muito claro que devemos orar de acordo com a vontade de Deus, veja o que diz em 1 João 5:14: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.”. Veja o o exemplo do próprio Jesus, que está registrado nos evangelhos, por exemplo em Lucas 22:42 que diz: “Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.”. Veja também o exemplo de Paulo registrado em 2 Coríntios 12:7-9, que diz: “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.”. É interessante ver o contraste entre Jesus, Paulo e os supostos homens de Deus de hoje que pregam a confissão positiva. Eles pediram, suplicaram a Deus algo, se colocando numa posição de humildade; pediram, mas confiando que a vontade de Deus era o melhor para eles. Se fosse algum dos pregadores da prosperidade no lugar de Jesus tinha dito mais ou menos assim: “Eu não aceito essa angústia de morte, eu sou teu filho, eu determino agora que ela se retire de mim e que o Senhor me livre da cruz, pois sei que a tua vontade não é que eu sofra, mas que eu esteja bem, pois eu sou cabeça, não cauda, eu fui feito para vencer, por isso eu profetizo vitória sobre a minha vida, tomo posse do meu livramento e determino que todo o mal saia agoooooraaaaa!!! Amém”. Se fosse no lugar de Paulo teriam orado mais ou menos assim: “Deus eu não aceito essa derrota, eu determino que esse espinho na carne saia agora da minha vida e eu profetizo paz, tranquilidade, alegria do Senhor sobre a minha vida. Amém.” Que diferença hein?
Esse ensinamento é fruto da arrogância do ser humano que quer ser como Deus, nós precisamos é reconhecer a nossa pequenez e ser humildes, saber que Deus está no Céu e nós na terra, que Ele é o Todo-poderoso e nós somos pó, dependentes totalmente da sua misericórdia. O problema é que muita gente hoje não está nem aí para Deus, elas querem apenas usar Deus para satisfazer os seus caprichos, elas querem uma varinha mágica que resolva todos os seus problemas; não querem se humilhar, pedir, orar a Deus esperando que Ele realize o que achar melhor. É muito atrativo um ensinamento como esse, que diz que você pode com o poder da suas palavras ter o que você quiser, é tudo o que os gananciosos querem, algo rápido e fácil. Muitas pessoas estão vendo Deus como se fosse apenas um objeto que elas usam para conseguir o que querem. Não estão querendo ter um relacionamento de amor com Deus. Vemos, então, que as nossas palavras não têm poder, pelo menos, não da maneira como os pregadores da prosperidade ensinam. O que estamos vendo hoje é um vendaval de palavras mentirosas, não poderosas, enganando as pessoas e levando-as para longe de Deus.

 
03/03/12

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